Autor:
Salvador Bonomo
Nº de páginas:
194
Data de impressão na GSA:
Julho de 2021 / Outubro 2021
Código:
030286

Prefácio

Esta obra é composta de Crônicas, cujos temas
pertinem a fatos de natureza cultural, política e jurídica,
ocorridos e noticiados entre 2012 e 2020, e vazados em
termos críticos e objetivos, frutos, por óbvio, da visão
do autor, cuja análise será tarefa do leitor.

Advogado, intelectual, homem público de caráter exemplar e
sempre disposto a arriscar-se na defesa de princípios éticos,
morais e legais. Esse é Salvador Bonomo, um dos companheiros
fundadores do MDB-ES em 1966, em razão de o Regime Militar
extinguir os Partidos Políticos então existentes e permitir a criação
de apenas dois – Aliança Renovadora Nacional (ARENA) e Movimento
Democrático Brasileiro (MDB) – que congregava as oposições.

Testemunhei sua luta pela volta ao estado democrático de direito
nos anos de chumbo.

Ao assumir o Governo do Espírito Santo (1987), naturalmente
Bonomo se tornou o primeiro líder do meu Governo, pois, antes,
juntos, lutamos pela Anistia, Assembleia Nacional Constituinte e
Diretas-já. Executou tarefas difíceis entre 1964-1985, como fundação
de diretórios do MDB em Nova Venécia, Boa Esperança, Conceição
da Barra, Pinheiros, Montanha e Mucurici, arcando com o ônus, o que
fez por 10 anos (1966-1976), sem candidatar-se.

Curiosamente, nós nos conhecemos quando depúnhamos em
Inquérito Policial Militar (IPM) no 3º Batalhão de Caçadores (hoje,
38º BI), em 14.05.68, Vila Velha-ES. O Capitão do Exército, José
Luiz da Silva, era o encarregado do IPM que visava indiciar Iran
Caetano, do PCdoB e estudante de Medicina na UFES. Dez anos
depois (em 1976), em campanha modesta, Bonomo disputou, com
4 concorrentes, a Prefeitura de Nova Venécia, obtendo 1.800 votos
dos 7 mil então existentes. Em 1978, concorreu pela primeira vez a
Deputado estadual. Ganhou da Arena em Nova Venécia, mas ficou
na 2ª suplência, assumindo no fim da legislatura, por mortes dos
Deputados Castelo Mendonça e Clério Falcão.

Em 1982, elegeu-se Deputado e se reelegeu, em 1986. Em 1984,
Bonomo coordenou as Diretas-já (Emenda Dante de Oliveira), que o
Congresso rejeitou. Em 1990, Bonomo concorreu à Câmara Federal,
mas, embora tenha sido o mais votado da corrente que elegeu meu
sucessor, não alcançou o quociente eleitoral. Desejava voltar para a
Advocacia, porém, sendo-lhe solicitado que colaborasse com o novo
Governo, aceitou a direção do Detran-ES. Discordando, todavia, de
condutas contrárias aos seus princípios, devolveu o cargo.

Voltou à Advocacia, reciclou-se e inscreveu-se em concurso de
Juiz, sendo reprovado na oral. A seguir, passou no concurso para
Promotor (MPES), onde se aposentou.

É esse o resumido retrato do bravo companheiro, que, superando
obstáculos, lança seu primeiro livro de Crônicas, que revelam
formação e ideário de Justiça. É homem que, nada temendo, expõe
suas ideias, que se sintonizam com os ideais que norteiam a vida de
quem serve ao bem comum, razão de sua leitura ser recomendável
às futuras gerações.

Max de Freitas Mauro
Ex-Governador do Estado do Espírito Santo